Noite de sábado, um pouco mais de 20 horas, estava eu guardando roupas minhas e de meu sobrinho, que estava vendo televisão, quando ouço uma chamada sobre uma reportagem que ia ser posta no ar no domingo. E o tema central da chamada é sexo, a escravidão de mulheres, usadas para trazer prazer aos homens.
Passados alguns momentos, me veio à cabeça trechos de conversas que tive com um espanhol entre os anos de 2007 e 2008. Lembro que várias vezes ele me convidou para ir trabalhar na Espanha. Segundo ele, este trabalho seria de arrumadeira... Não dei muita importância ao fato no início. Disse que não e ele ficou um bom tempo sem falar comigo. Em 2008, novamente ele voltou a falar comigo e novamente o estranho convite para ser camareira, disse que era um local que tinha quartos e uma boate. Falou-me de um salário absurdamente alto.
Posso parecer ingênua, bobinha até... Mas não o sou... Fiz várias perguntas, e a cada resposta, mas certeza eu tive que o local que ele falava era um “prostíbulo”, um ponto de encontro onde se vendia prazer a homens dispostos a pagar por isso.
Ainda perguntei a ele, o que eu, uma guria gordinha tinha de interessante para um lugar assim, a resposta me surpreendeu, de acordo com ele, alguns homens preferem mulheres gordinhas e que eu irradia alegria e sensualidade.
Disse a ele que não, o bloqueie e deletei do meu MSN. Mas após ouvir a chamada da reportagem, uma pergunta inquietante ficou a me perseguir: SERÁ QUE OUTRAS MULHERES NÃO CAÍRAM NA LÁBIA DE OUTROS QUE NEM ELE NA REDE MUNDIAL?????
O interessante é que o dito cujo era uma pessoa culta, educada, além é claro de ser muito bonito e charmoso. Na época até imaginei que pudesse ter me enganado na tradução do espanhol para o português, mas para ter certeza do sentido das frases, utilizei um dicionário de tradução de espanhol-português. O sentido era mesmo o de prostituição.
Muitas são as perguntas, uma em questão me chama a atenção: “até que ponto chega à barbárie humana em pleno século XXI, ou a humanidade simplesmente passou a se utilizar das facilidades da tecnologia para continuar a fazer o que sempre fez: humilhar, aprisionar e escravizar o seu próximo????
Isso me faz recordar de uma frase de Tolstoi: “Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para fogueira”. O bosque no meu ponto de vista, nada mais é do que nós mesmos e a sociedade que nos rodeia. Cada um vê esse bosque de uma forma, pena que a maioria esmagada pela opressão de um sistema que privilegia poucos acaba vendo o bosque como sendo lenha para a fogueira que melhora a vida de alguns.
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